Por dentro do setor naval

2 de fevereiro de 2018, Nenhum comentário

Autor: Portal Naval

Manuela Barão, 36 anos, é descendente de japoneses. Ela morava em São Paulo, mas estava no Japão, em busca de emprego, quando soube da promessa de uma obra muito grande, com muitas encomendas de navios e que podia ser o seu passaporte de volta ao Brasil. Era o Estaleiro Atlântico Sul. “Quando cheguei, vi que a realidade eram atrasos nas entregas, trocas de diretorias e a cada novo gestor, a equipe mudava. Numa dessas, fui demitida”, conta a dekassegui, como se chamam os trabalhadores descendentes de japoneses que vieram do Japão para trabalhar na indústria naval como mão de obra qualificada.

“Fiquei pouco mais de dois anos em Suape. Eu perdi tempo, porque estava crescendo no Japão, mas queria voltar para o meu País”, lamenta. Sem horizonte de empregos no Brasil, Manuela precisou voltar para o Japão, onde mora atualmente com dois filhos. Lá, ela trabalha para o setor de siderurgia. “Na época que trabalhei em Suape, tinha uns 150 dekasseguis, mas nossas expectativas foram frustradas”, narra. Atualmente, não há mais dekasseguis no EAS.

O representante do governo

“Mesmo com todas as dificuldades, os estaleiros estão operando, isso já demonstra a importância da diversificação da economia estadual”, defende o presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Marcos Baptista. Atualmente, a indústria de transformação, na qual os empreendimentos navais estão inseridos, já representa mais de 9% do Produto Interno Bruto de Pernambuco.

“Em termos de emprego, entre 2016 e 2017, apenas o Atlântico Sul contratou mil funcionários. Mas, o perfil dos profissionais mudou tanto para eles, quanto para o Vard. Isso permitiu um ganho produtivo, que hoje já compete com estaleiros europeus”, defende. Para o gestor, essa indústria continua sendo estratégica para Suape.

“Pernambuco investiu cerca de R$ 2 bilhões em infraestrutura para receber os dois estaleiros, mas a manutenção desse polo naval envolve vários atores, incluindo a Petrobras e o Governo Federal”, comenta. “A gente não pode conceber um investimento desse volume se extinguir por falta de encomendas. As empresas precisam ter novos contratos”, aponta.

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