A Desindustrialização da Bahia

18 de outubro de 2017, Nenhum comentário

Autor: Armando Avena (jornalista e economista)

A Bahia está se desindustrializando. Esta coluna já fez a mesma afirmação há cerca de dois anos, mas o problema é que o processo vem se acelerando. A crise econômica afetou as indústrias de todos os estados brasileiros, mas na Bahia a queda foi muito mais acentuada, o que significa que estamos reduzindo nossa posição no ranking dos estados mais industrializados do país.

No primeiro semestre de 2017, por exemplo, enquanto a indústria nacional cresceu 0,5%, a indústria baiana registrou uma queda de 7,4% , a maior redução entre todos os Estados pesquisados pelo IBGE. No mesmo período, estado de Santa Catarina, que recentemente superou a Bahia, tornando-se o 6o maior PIB do Brasil, cresceu 3,3%, enquanto estados do Nordeste, como Ceará e Pernambuco, cresceram 0,6%.

A desindustrialização que vem ocorrendo na Bahia não é, todavia, um problema conjuntural, é um problema estrutural que precisa ser discutido para que possa ser estancado. A indústria baiana está perdendo importância relativa tanto em relação aos demais estados da federação quanto internamente, na formação do PIB baiano. Em 2010, a indústria como um todo representava 26,5% do PIB da Bahia e era o setor que mais crescia, sete anos depois representa cerca de 20% e sua produção vem caindo mês a mês a dezesseis meses seguidos.

A produção da indústria de transformação, que é o principal segmento do setor industrial, com empresas petroquímicas, montadoras de automóveis e outras, vem despencando ano a ano, com muitas empresas fechando e outras reduzindo a produção. A indústria de transformação baiana, que em 2004 representava 16,5% do PIB, reduziu sua participação para 13,9% em 2010, e deve fechar 2017 representando cerca de 9% na formação do PIB baiano. Isso significa que o estado está se desindustrializando de forma acelerada.

E, se internamente a perda de posição é nítida, em relação aos demais estados da federação é dramática. A Bahia perdeu posição no PIB do Brasil, reduziu sua participação no PIB do Nordeste e, embora ainda se mantenha como sétima província industrial do país, a produção industrial cresce menos que outros estados, como Santa Catarina e Goiás. Em 2010, a Bahia gerava 4,1% da produção industrial do Brasil e 45% do Nordeste, mas foi gradualmente perdendo posição e em 2015 gerou cerca de 3,5% da produção industrial brasileira e aproximadamente 40% da produção nordestina.

O fato é que a Bahia está se desindustrializando e ficando um estado cada vez mais dependente do setor serviços – grande parte dele caracterizado pela baixa complexidade e qualificação – e da administração pública, que elevou sua participação na formação do PIB baiano para mais de 20%. Ou seja, na Bahia o setor público tornou-se mais importante do que o setor industrial. O processo de desindustrialização do Estado vem se dando em várias frentes, comandada pela redução na produção de petróleo da Refinaria Landulpho Alves, pela obsolescência de parte do setor petroquímico, com exceções como a Braskem, Basf e outras, pela falta de competitividade das empresas em função dos gargalos logísticos e pelos altos preços das matérias-primas e da energia.

A Bahia ainda é o maior estado industrial do Nordeste, mas frente ao quadro atual o governo do Estado e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEB precisam mobilizar as lideranças empresariais, elaborar planos e propostas para atrair empresas e estimular o empresariado local a investir para assim recuperar a pujança do setor, afinal, se nada for feito a força industrial da Bahia pode se esvair rapidamente.

Fonte: http://www.bahiaeconomica.com.br/coluna/541,armando-avena-a-desindustrializacao-da-bahia.html

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