Indústria quer quebrar barreiras e explorar melhor a biodiversidade

10 de agosto de 2016, Nenhum comentário

Por: Marli Moreira, Agência Brasil

Detentor da maior biodiversidade do mundo, o Brasil tem chance de se transformar em referência mundial no desenvolvimento de produtos originados das riquezas naturais, mas, para isso, terá de buscar mais qualificação da mão de obra e remover entraves como o excesso de burocracia e a falta de uma legislação adequada à bioeconomia. A conclusão está em uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com empresários, pesquisadores, representantes do Legislativo e do governo federais.

O levantamento foi apresentado no 3º Fórum de Bioeconomia-Políticas Públicas e Ambiente para a Inovação e Negócios no Brasil, mostra que a maioria dos entrevistados (92%) aposta no desenvolvimento do país nessa área. No entanto, 78% dos entrevistados dizem que “não há segurança jurídica” para isso.

A pesquisa ouviu 100 representantes da indústria, 40 ocupantes de cargos no governo federal e no Congresso Nacional e 20 representantes da área acadêmica. Destes, 77,5% consideram insuficiente o apoio à pesquisa e 65,6% dizem que é preciso adequar o marco regulatório. Para 55,6%, falta mão de obra qualificada no Brasil.

Entre os que responderam às perguntas, mais da metade (51%) tem expectativa de ampliação dos investimentos privados no setor nos próximos três anos. Em comunicado sobre a pesquisa, a CNI destaca que a Organização de Cooperação de Desenvolvimento Econômico prevê que, em 2030, o setor da biotecnologia industrial receba aplicação de recursos em torno de 300 bilhões de euros.

Por enquanto, prevalecem os investimentos em biocombustíveis, seguidos pelas aplicações em bioquímicos e bioplásticos. O presidente da GranBio e representante da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) da CNI, Bernardo Gradin, destaca que a bioeconomia é “um caminho absolutamente estratégico” tanto para a energia quanto para o desenvolvimento da produtividade nos países que dispõem dela. “Não tem como o mundo achar que continua crescendo onde 1 bilhão [de pessoas] consomem o equivalente a 6 bilhões e que outros 6 bilhões não vão consumir um dia”, afirma Gradin.

Ele alerta que, se o atendimento de toda a demanda mundial depender da energia fóssil, haverá um esgotamento do planeta. “O planeta não aguenta”. Para ele, a bioeconomia surge “não somente como a oportunidade de pensar um planeta mais limpo, um ciclo de carbono mais limpo. É preciso buscar outras formas produtivas com soluções [tiradas] da biologia sintética, engenharia metabólica e dos micro-organismos.”

Fonte: http://www.tnsustentavel.com.br/noticia/10905/industria-quer-quebrar-barreiras-e-explorar-melhor-a-biodiversidade

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